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Quarta-Feira, 03 de Julho de 2013

Uma festa cheia de História - Festa dos Estudantes

Conheça um pouco dos que fazem a memória da Festa dos Estudantes de Triunfo, que chega à 55ª edição junto ao FPNC do Pajeú.
 

Era final de julho de 1942 quando os amigos Gastãozinho, Nivan Antas, Josias Pereira, Manoel Andrade, Zé Pacheco, Evandro Norões e Zuzinha Amara, que estudavam no Recife, resolveram fazer um baile que marcaria o final das férias em Triunfo. Os anos se passaram e, na década de 1980, o que era uma simples celebração expandiu suas proporções, passando a acontecer durante uma semana.

Hoje, já são 60 anos da união dos estudantes triunfenses para celebrar as férias. Para os que fizeram parte desta história e ajudaram a construir esta festa, que faz do Sertão do Pajeú um dos destinos mais procurados na última semana de julho em Pernambuco, o saudosismo é um sentimento comum. Conversei com duas gerações de uma família que participou ativamente dessa história: Carlos Ferraz e Erick Gustavo Ferraz, pai e filho que nas décadas de 1970/1980 e 1990, respectivamente, participaram da equipe que organizava a Festa dos Estudantes de Triunfo.

“A ideia era só fazer uma despedida das férias, com um baile no último sábado, no Clube Sociedade Triunfense de Cultura”, comenta Carlos Ferraz. O triunfense, que presidiu a comissão da festa em 1982, também revelou que por alguns anos, não precisamente lembrados por ele, o baile não aconteceu. “Era em meados dos anos 70 quando a organização desandou e muitos estudantes perderam o interesse, fazendo com que o baile só voltasse a existir 1976/1977”. O dia de despedida das férias era marcado por torneios esportivos no Stella Maris pela manhã e, à noite, um baile de gala encerrava a programação.

No tempo em que a Festa dos Estudantes era comemorada em apenas uma noite de gala, o baile era o momento de coroação da rainha. Ivanilda Viana foi uma das moças que, vestida em trajes finos, conquistou o trono em 1976. Segundo ela, hoje funcionária pública, a festa era uma oportunidade interessante para conhecer pessoas. “Eu era muito jovem e o baile tinha como maior objetivo ser um momento de socializar e fazer amigos”, descreveu a ex-rainha. O brilho da conquista também foi um desafio para Ivanilda. “Eu vim de uma família simples, minha mãe era viúva, então chegar a ser rainha da festa foi uma grande aventura, não esperava de forma alguma vencer a disputa. E tudo isso me ajudou muito”, recorda.

Dentre as lembranças do tempo em que era estudante, o triunfense Denis Carlos Gomes, hoje funcionário público, relembra o carro de som de Otoni Propaganda. “Otoni Propaganda fez a animação da festa entre 1977 e 1997, com seu carro de som da Pitu. Ele envolvia com poesia a Festa dos Estudantes”, recorda Denis. Ele  ressalta ainda que “isso é a memória de um trabalho de integração feito por e para os estudantes de Triunfo”. Mas como “bom triunfense”, como se define, Denis diz que já participava da celebração ainda na infância. “Desde criança já participava da festa. Há uns 12 anos mais ou menos participei da minha primeira oficina. Era uma oficina de teatro com Marília Rameh. Depois, comecei a participar da organização e hoje novamente estou contribuindo com ela”, conta Denis, atualmente membro dos Amigos Estudantes Triunfenses, um grupo, que segundo ele, se reúne para resgatar as boas lembranças da Festa dos Estudantes de Triunfo.

Crescimento

Após 40 anos de sua criação, a Festa dos Estudantes de Triunfo resolveu ganhar novos ares e expandiu sua programação, chegando a ser realizada durante uma semana. Carlos Ferraz conta que  foi responsável pela ampliação do evento, introduzindo ao seu conceito uma vasta atividade cultural, com exibição de espetáculos de teatro, dança, passeios turísticos e ações sociais. “Muitos não acreditaram que isso daria certo, mas vamos buscando apoio aqui outro ali, e mesmo não tendo dinheiro algum, conseguimos fazer uma grande festa que tinha o baile como o alto da programação”, explica.

Uma vez ampliada a celebração, os próprios estudantes passaram a fazer jus a essa tradição. “A festa já estava consolidada quando eu me tornei presidente, o que buscamos aperfeiçoar foi a conotação voltada para as artes que a semana dos estudantes tinha de forte”, diz Erick Gustavo Ferraz, que presidiu a comissão organizadora da festa em sua 40ª e 41ª edições.

Hoje, a Festa dos Estudantes de Triunfo, que já aconteceu durante o chamado Circuito do Frio, chega à sua 55ª edição e é realizada no mesmo período da programação do Festival Pernambuco Nação Cultural, que atualmente é feita em várias regiões do estado pela Secretaria de Cultura de Pernambuco e Fundarpe, que seguem investindo na continuidade e na qualidade da festa triunfense. Além de Triunfo, o festival acontece em mais nove cidades do Sertão do Pajeú, como Serra Talhada, São José do Egito, Tabira, Tuparetama e outras, com shows, espetáculos, oficinas e diversas ações.